Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






terça-feira, 2 de junho de 2015

NEYMAR, O DRIBLE E O IMPÉRIO DA MEDIOCRIDADE


Neymar tentou driblar com uma chaleira, ou carretilha, um zagueiro do Atlethic Bilbao. O sujeito lhe deu um trompaço, jogou-lhe ao chão e depois partiu pra cima, secundado por alguns dos seus iguais, para aplicar um corretivo verbal e físico em Neymar. O craque brasileiro, espertamente, ficou no solo até chegar a turma do deixa-disso.
 
A mídia mundial repercutiu o episódio, abrindo espaço para duras críticas ao driblador. E como a final da Champions acontece no próximo sábado, Barça x Juventus, avisos são disparados na direção de Neymar, no sentido de que os zagueiros italianos darão duras respostas a seus dribles desmoralizantes.
 
O drible é fundamento básico do futebol. O drible é meio adequado de superação do adversário no confronto físico direto, quando um tenta impedir o avanço do outro com a bola. O drible, meus amigos, não é fácil de aplicar. O drible é para craques; cabeça de bagre não sabe driblar, dá chutão.
 
Imagino Garrincha jogando em nosso tempo. O que faria o troglodita do Atlethic Bilbao? Talvez não o encontrasse para dar o trompaço; talvez já estivesse levando o segundo drible, talvez destruísse o que restava do joelho do nosso genial craque.
 
Nosso tempo não só se encontra infantilizado socialmente como horizontalmente imbecilizado. Não há espaço para a excepcionalidade, para a genialidade, para a elevação em qualquer nível. Os medíocres são imensa maioria e possuem a força de comando. E como possuem. Olhem em volta. O discurso da mediocridade é igualitário, simplório, aliviante, por isso conquista adeptos às pencas. O craque é solitário como todo artista. Pensa particular, sente especial, age diferente, não é fácil suportar a presença ou companhia de um craque. Disputar algo com ele, então... Então, os medíocres  -  sejam de Bilbao, Madrid, Turim, Argentina, qualquer lugar  -  convocam-se no esforço de reduzir o craque ao tope deles, ou seja, ao raso.
 
Mas há quem, como Neymar, insista no óbvio, como Progba, que disse hoje, a respeito da cobrança que fazem para que ele jogue mais simples, sem firulas ou dribles: - eu jogo futebol.
 
Tão claro que chega a ser luminoso. Mas os medíocres, no gozo do império contemporâneo, são incapazes de perceber o que seja isso, jogar futebol. Daqui torço para ver Neymar fazer um gol na Juventus, dando uma caneta em Chielini.
 
E viva Kaneko! E viva Toninho Guerreiro! 

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