Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






domingo, 22 de dezembro de 2013

DIEGO COSTA

Diego Costa tem sido vítima de preconceito. 
Qualquer um pode se naturalizar, adquirir uma segunda nacionalidade, e defender outro selecionado nacional, menos Diego Costa.
Marcos Sena foi campeão europeu pela seleção espanhola. Marcos Sena deixou a imprensa brasileira, e grande parte dos brasileiros, orgulhosa do feito: um brasileiro campeão europeu pela Espanha, cara retado! Mas Diego Costa não pode ter essa aspiração.
Thiago Motta pode defender a Itália. Eduardo pode defender a Sérvia. Qualquer pebolista pode defender a seleção japonesa, chinesa, africana, mas Diego Costa não pode defender a Espanha.
Pepe e Deco, que fez gols na seleção brasileira, podem defender Portugal, e é lindo ver brasileiros com a camisa dos patrícios, pá! Mas a Diego Costa está vedada essa opção.

Diego Costa tem sido vítima de preconceito. E de uma canalhice patriótica institucional.
DC foi convocado no começo do ano, atuou alguns minutos com a amarelinha e não foi lembrado depois em nenhuma convocação. DC não foi convocado para a Copa das Confederações.
Então, adquirida a nacionalidade espanhola, DC é convidado a servir à Fúria. E diz sim, se não me falha a memória, no mês de julho ou agosto deste ano.
Felipão sabia disso, a imprensa repercutiu o fato insistentemente, e, mesmo assim, convocou Diego Costa no final do ano. Colocou DC na parede, de forma gratuita e desnecessária. Testou o rapaz. Jogou-o às feras. Diego Costa sustentou sua posição, como qualquer homem que honra o nome faria.
Felipão encenou, então, a tal canalhice patriótica institucional: gravou a desconvocação de Diego Costa (eu vi a cena, acho que pode ser vista por qualquer um no site da CBF, a que fede, ou no Youtube) sob a alegação de que DC havia se negado a defender o seu país em uma Copa do Mundo. Mentira!

Mentira porque Diego Costa foi convocado para dois amistosos, não para jogar a Copa do Mundo. Foi convocado para dois jogos amistosos desimportantes da mesma forma que fora convocado no começo do ano. Desta forma, é falsa a afirmação de que DC negou-se a servir o Brasil em um Copa do Mundo. Nada, nada no episódio, garantia a DC jogar a Copa do Mundo. Com Fred recuperado, ou qualquer outro atacante do agrado de Felipão, voltando a jogar bem, DC poderia ser muito bem esquecido, como foi na Copa das Confederações. Aliás, poderia ser gloriosamente sacaneado pelos poderosos de plantão atuando apenas alguns minutos, novamente, nos amistosos.
Alguns meses se passaram, apenas, e de repente Diego Costa se tornou o salvador da pátria de Felipão? Ora, catem piolhos em cobra! 

O patriotismo é, sim, o último refúgio do canalha, como ensinou séculos atrás o sábio Dr. Johnson, se não me equivoco de autor. Transformar uma convocação para uma seleção (que não é brasileira, como afirmou Rivelino, pois não reúne os melhores jogadores, mas os jogadores do agrado e servem ao esquema do treinador) em convocação para servir o país como se fosse em uma guerra, é... bem, deixa pra lá, que já ficou clara a questão.

Escalaram Diego Costa para Cristo, como bode expiatório preventivo caso a seleção brasileira não vença a Copa. Será que tudo isso se deu por DC não ter uma assessoria de imprensa no Brasil? Ou por ser nordestino? Ou por não ter jogado pelo Corínthians ou pelo Flamengo, times de massa, antes de ir pra Europa? Ou por ter peito suficiente para dizer "não"? Ou por completar, de forma assustadora, o ataque de uma das melhores seleções do mundo?

Torço pela seleção brasileira, claro. Mas vou torcer, também, por Diego Costa brilhar na Copa. Se vier, pois tudo pode acontecer até lá.

2 comentários:

Mayrant Gallo disse...

Por esta e outras é que torcer pela Seleção Brasileira de Futebol virou para mim uma questão de ocasião e humor. Não é como o vôlei, e agora o handbol, que conquistam o torcedor pelo trabalho sério e incessante rumo às conquistas. Ótimo texto, o seu, Carlos!

M. disse...

Na copa, a minha torcida vai pra Diego Costa.