Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






segunda-feira, 24 de setembro de 2012

24 DE SETEMBRO, INESQUECÍVEL



Foi numa terça-feira, em 1969. Faz, hoje, 43 anos corridos sem bola. Esses números me deixam zonzo. Pois parece que a tragédia ainda está acontecendo. 

Atravessamos aquele dia em velório. Desde a noite anterior que Nelsinho morria à míngua no Posto de Saúde. Um gigante que não completara 15 anos.

Nelsinho morreu por volta das 11 da manhã. Seu enterro foi no final da tarde. Embora sua agonia tenha se arrastado por mais de 16 horas, tudo passou como vertigem, sumidouro. E não acaba de passar, na verdade.

Ao pé da cova, num cemitério lotado e já noturno, o prefeito discursou, com o pé direito apoiado no barro fresco ali amontoado. Lembro da exaltação que fez à juventude perdida, ao craque que a cidade não veria mais jogar.

Tremi ao jogar uma mão de terra sobre o caixão de meu irmão. Eu tinha 11 anos e ali aceitei a sina de morrer, também, ainda jovem. Passei dos 15, dos 33 e já me vou em meio à casa dos 50.

Só sei que não quero ser enterrado, isso não. Quero virar cinzas, descer o rio à flor d'água.

De Arubinha, só este papo triste de segunda-feira. E a saudade do maior craque que já vi jogar, meu irmão, Nelsinho.

Não tenho nenhuma foto de Nelsinho vestido a caráter, ou seja, com a camisa do time do Ginásio ou um outro qualquer que tenha defendido por uma partida. Então, fica esta aí, acima, dele desnudo nos braços de nossos pais.

3 comentários:

M. disse...

Parece que quanto uma pessoa amada morre morremos um pouco. E vamos morrendo, enquanto a vida passa e as vidas passam, sempre um pouco mais, até o fim.

Belo o seu texto, amado. Pleno de humanidade e de amor.

Hoje o dia está mesmo quieto, triste, enlutado. Agora entendo porque.

Bjs

PCFilho disse...

Comovente o seu texto. Bela homenagem.

Não consigo imaginar a dor que você sentiu naquele dia e provavelmente sente até hoje.

Abraço,
PC

aeronauta disse...

Doloroso, amigo.
Um abraço.