Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






quinta-feira, 27 de setembro de 2012

TED BOY MARINO


Vi este cara lutar telecatch contra Fantomas, Barba Ruiva e muitos outros. Sábado à noite, se não me falha a memória. Lembro até de certa feita em que, embirrado por meus tios preferirem outro programa (Flávio Cavalcanti, Silvestre, O homem do sapato branco?), passei longos minutos fora da casa, soprando fumaça pelas ventas, ao ar gelado da noite. 

Nos meus dez anos de idade, ejetado do sertão para a zona norte de São Paulo, aquilo parecia desenho animado: todos saíam ilesos ao final da pancadaria e estavam de volta na semana seguinte. Tesouras voadoras, patadas atômicas, giros no ar antes de ser atirado pra fora do ringue, mocinhos e bandidos. Ted Boy Marino era do time dos mocinhos. Morreu hoje e parece que foi há tanto tempo.



Foto: Globo.com

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

24 DE SETEMBRO, INESQUECÍVEL



Foi numa terça-feira, em 1969. Faz, hoje, 43 anos corridos sem bola. Esses números me deixam zonzo. Pois parece que a tragédia ainda está acontecendo. 

Atravessamos aquele dia em velório. Desde a noite anterior que Nelsinho morria à míngua no Posto de Saúde. Um gigante que não completara 15 anos.

Nelsinho morreu por volta das 11 da manhã. Seu enterro foi no final da tarde. Embora sua agonia tenha se arrastado por mais de 16 horas, tudo passou como vertigem, sumidouro. E não acaba de passar, na verdade.

Ao pé da cova, num cemitério lotado e já noturno, o prefeito discursou, com o pé direito apoiado no barro fresco ali amontoado. Lembro da exaltação que fez à juventude perdida, ao craque que a cidade não veria mais jogar.

Tremi ao jogar uma mão de terra sobre o caixão de meu irmão. Eu tinha 11 anos e ali aceitei a sina de morrer, também, ainda jovem. Passei dos 15, dos 33 e já me vou em meio à casa dos 50.

Só sei que não quero ser enterrado, isso não. Quero virar cinzas, descer o rio à flor d'água.

De Arubinha, só este papo triste de segunda-feira. E a saudade do maior craque que já vi jogar, meu irmão, Nelsinho.

Não tenho nenhuma foto de Nelsinho vestido a caráter, ou seja, com a camisa do time do Ginásio ou um outro qualquer que tenha defendido por uma partida. Então, fica esta aí, acima, dele desnudo nos braços de nossos pais.

sábado, 8 de setembro de 2012

TREINO PRA COPA E O INCRÍVEL HULK

  1. O amistoso contra a África do Sul foi um treino da organização para a Copa. Mostramos ao mundo, então, como será a Copa: atraso no início dos jogos, confusão com os uniformes dos times, uniforme rasgado antes mesmo de começar a partida, faixa de capitão feita de esparadrapo, atraso na volta do intervalo e, naturalmente, vaias para nossa seleção.
  2. Arrisco meu palpite: se Messi jogar o que está jogando, a Argentina será campeã em 2014.
  3. Neymar é uma celebridade, reafirmo o que disse no post anterior. Muito bem orientado para atuar dentro e fora de campo, Neymar se exibe, jogando suas fichas no faturamento em publicidade, o que lhe dá dinheiro suficiente para iate e jatinho. Bola mesmo, só para firulas. Neymar nunca passará de um Robinho.
  4. Hulk não tem um esquema promocional igual ao do Neymar. Mas rende para a seleção muito mais que o Neymar. Pelo simples fato de que Hulk entra em campo para jogar bola. E fora de campo, prepara-se para jogar bola, e não para desfilar o novo corte de cabelo. 
  5. Perdemos o torneio da Olimpíada porque nosso brilhante treinador sacou Hulk da equipe. Na final, todos se lembram, nossa seleção só jogou de igual pra igual com o México depois que Hulk entrou. E foi de Hulk o único chute perigoso que demos.
  6. Os europeus são uns idiotas, não? Não levaram Neymar, não é? Que idiotas são os europeus: pagaram 140 milhões de reais pelo Hulk, que vai jogar agora no Zenyte, da Rússia. Os europeus não reconhecem um grande craque, pois não? 
  7. Hoje, minha seleção começa com Hulk. E depois vem o resto.