Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






quinta-feira, 28 de junho de 2012

ROMARINHO

O tempo passa e com ele a obviedade. Tudo fica mais complexo, até beber água, ainda mais o futebol. Os jogadores e técnicos ainda são seres humanos, mas não se sabe até quando será assim.

Não se passou um dia da partida em que Romarinho brilhou, fazendo um gol no Boca, em plena Bombonera, e os comentaristas enchem o intestino pra dizer que a estrela da partida foi Tite, o teinador. Porque foi Tite quem deu o padrão de jogo à equipe, porque foi Tite quem fez a substituição que botou Romarinho em campo, porque Tite tem o time nas mãos.

Um espanto, um horror de desinteligência. Um deles, no Sportv, chegou a dizer "ora, quem disse que outro jogador não faria o gol que Romarinho fez?" Pois é, quem diz, não é mesmo Sr. Mente Brilhante de Leviandade? Não há como dizer, mesmo, que outro jogador faria ou não o gol decisivo. Mas o fato sobre que se fala é Romarinho fez o belíssimo gol, e ponto. Não há que arguir possibilidade outra. Fazer isso é calhordice, é buscar o demérito do jogador a qualquer custo, é suspeito, para dizer o mínimo.

Vi a partida, vi o gol e a entrevista que Romarinho deu ao sair de campo: "Comecei no Rio Branco, fui pro Bragantino e agora tou aqui, muito feliz por tá aqui." Mais ou menos isso. Parecia que estava se apresentando ao Corínthians, a voz tranquila, o olhar tranquilo, um garrincha, em síntese.

Quem fez o belíssimo e importantíssimo gol para o Corínthians, foi o Romarinho, não foi o Tite. Aliás, o Tite, aos 21 anos, não faria aquele gol nem em mil tentativas. Quem empatou a partida foi o Romarinho, aproveitando um passe perfeito de Emerson. Mesmo assim, o mérito do gol é exclusivo de Romarinho, por tê-lo executado (o que poderia não ter ocorrido se fosse outro jogador no lance, isso é possível afirmar).

Treinador escala o time e geralmente atrapalha o grupo na escalação e substituição. Quase sempre é assim. 

Quem faz o futebol é o jogador nas quatro linhas. 

Estão fazendo de tudo para reduzir o futebol de Romarinho a um incidente feliz. Entre essas pessoas, o Tite.

domingo, 17 de junho de 2012

EUROCOPA

Tenho visto o desenrolar da Eurocopa. 
Ontem, caiu a primeira candidata ao título, líder do seu grupo até então, a Rússia. A falida Grécia continua na competição.
Tenho visto os esquemas táticos condicionarem os jogadores, feito times de botão dispostos na mesa. No Sportv, um jornalista alemão disse que nosso conceito de "futebol arte" é artificial, que Schweisteiger e Kedira (espantoso: não citou Özil!) são artistas da bola. Não são, obviamente. Da mesma forma, Neymar é peladeiro e malabarista como Robinho foi, puro improviso. Neymar é menudo.
Pelé, Didi, Zico, Tostão, Reinaldo, Ronaldo (o único) foram artistas da bola, constantes em suas especialidades, na execução de seus repertórios, em sua dedicação ao esporte. E foram eles (e outros mais, claro) que colocaram e mantêm o Brasil como a matriz do futebol arte.
Tenho visto na Eurocopa a bola passar de pé em pé, até se perder pela linha de fundo, até ser tomada pelo adversário, ir de pé em pé, voar até a cabeça de um e de outro, e voltar a rolar de pé em pé, bordejando a área, circulando pelo meio, sem que nenhum artista a chame para dançar um solo. Uma chatice.
E a previsão é de que, quanto mais se afunilar, a Eurocopa vai mostrar mais do mesmo ramerrão.
A Eurocopa jamais pode ser chamada de Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. Para uma Copa do Mundo faltam Uruguai, EUA ou México, dois ou três países africanos e Japão ou Coréia do Sul, exemplos de futebol bem diverso do maquinismo militarista do futebol europeu, incluindo aí a Espanha.