Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

LIÇÕES DO BARCELONA

  1. Que o futebol é um esporte coletivo.
  2. Que o jogador de futebol especialista é um jogador de futebol deficiente.
  3. Que vence o time que detém mais a posse de bola com o objetivo claro de abrir espaço até o gol adversário.
  4. Que a objetividade pode ser belíssima no futebol, ainda mais quando não se dá em linha reta.
  5. Que um time não pode depender do lampejo do craque.
  6. Que sem inteligência não se vence nem partida de dominó.
  7. Que vence fácil porque joga contra 8, no máximo 9, adversários, durante as partidas.
  8. Que o futebol brasileiro está bem atrás do futebol de alguns países e times.

A Holanda mostrou como praticar o futebol total. Telê Santana adaptou bem o modelo no Brasil. E só. De resto, praticamos no Brasil um futebol compartimentado: defesa, meio de campo e ataque são partes bem distintas na equipe e, quase sempre, atuam de forma isolada. Como exemplo, tenho ouvido desde ontem que "a defesa do Santos não é boa", como se fosse papel da defesa segurar todo o time do Barça.

Atacante brasileiro fica parado, quando não está participando de uma jogada diretamente. Zagueiro e meio campista, também. Os jogadores do Barça estão sempre se movimentando, oferecendo alternativas para o passe, quase sempre de primeira. O Real Madrid de Zidane esteve próximo de alcançar esse modelo. Aqui, jogador de futebol vive de chinfra.

A posse de bola faz o time inteiro correr menos. O passe longo, arriscado, pode dar certo, pode. E se der certo, mesmo Neymar Jr. pode não concluir em gol. Então, humildemente, jogadores geniais como Messi, Iniesta e Xavi tocam a bola até garantir um bom arremate. Silvinho, que foi lateral no Barça, conta que foi repreendido ao cruzar na área uma bola da linha de fundo. Não era para cruzar, era para dar um passe.

O Barça abre dois jogadores nas laterais; o adversário, bobamente, abre seus laterais para marcá-los. Não há nenhuma necessidade de marcar esses "pontas", eles não vão cruzar bola na área, vão se aproximar para o passe. Ao marcá-los, abre-se o espaço para a penetração de dois, três adversários na área. É assim que o Barça entra facilmente na área dos adversários, atraindo-os para fora e para os lados. Nem escanteio eles batem pelo alto, jogam sem atacantes fixos.

O time que quiser enfrentar o Barça precisa escalar todos os jogadores talentosos que possuir, em tese, todos os seus meio campistas. Não precisam de atacantes altos e fixos (para segurar zagueiros, pura ficção, pois a bola não chega) nem de zagueiros de dois metros de altura. Basta escalar que sabe dar passes de qualidade e sair jogando com um mínimo de confiança. E montar um esquema em Y. Quem não entender, eu explico em outro post.

A diferença entre Messi e Neymar, como modelos de jogadores de futebol, está na frase do empresário do argentino: "Tudo que não é futebol aborrece o Messi." Agora, comparem.

Um comentário:

Tom Correia disse...

A atual geração da Enciclopédia Barça já virou referência mundial e sempre será. Muricy passou seis meses estudando o adversário, não quis reforçar a equipe, abandonou o Brasileirão. O resultado foi a humilhação pública. Tanto ele quanto eu estamos aguardando o próximo post com a explicação do Esquema Y. Abraço, meu caro.