Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






terça-feira, 5 de julho de 2011

Sarriá, o maracanazzo de uma geração


Hoje faz vinte e nove anos de Brasil 2 X 3 Itália. Mesmo tanto tempo depois, meu peito pula uma batida quando revejo o gol de empate de Falcão. Arrepio que me percorre o corpo e me arremessa de volta para aquela segunda-feira trágica. Sinto o cheiro das páginas do álbum de figurinhas Ping Pong, das tabelas de jogos meticulosamente preenchidas, o espaço destinado ao campeão escrito por antecipação, revelando-se uma arriscada profecia: B R A S I L. Revejo a rua colorida e o desenho de Pacheco, o camisa 12, reluzindo na parede da garagem abandonada. Depois daquele dia, me transformei num ressentido, sem ânimo para comemorar coisa alguma. Tornei-me um cínico ao testemunhar as taças erguidas em 1994 e 2002. Nada mais era importante: minha infância fora sepultada naquele 5 de julho.


Foto: Reginaldo Manente / Ag. Estado

4 comentários:

Carlos Barbosa disse...

Chorei, amigo, ao ler este seu texto. Ô dia danado! Do que mais lembro é de ver o final da partida atrás de uma maciça porta de aroeira, pela fresta nublada, a tiritar de febre, 38,5 mais tarde. De minha parte, ao contrário de você, fiquei sedento de comemorações, e hoje comemoro até vitória do Brasil em corrida de jegue. Abr (carlos barbosa)

Tom Correia disse...

Carlos, queria muito ler algo seu sobre este dia "danado". Por isso estou apostando na ideia de Mayrant. "Onze lágrimas" seria uma bela e rica coletânea de contos (crônicas, sei lá)de autores que viveram aquela copa. Abraço, meu caro.

aeronauta disse...

Lâmina, Tom, esse seu texto. Nesse dia me descabelei na cama de casal de pai e mãe, uivando, gritando de dor. Nunca mais liguei para copa, para Brasil, para nada. Também me tornei uma ressentida.
Texto maravilhoso esse seu.

Mayrant Gallo disse...

Tom, meu velho, contrariamente ao que se diz, o tempo não cura as feridas; pelo menos, não todas. Ótimo texto!