Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

QUARTA REVELADORA

Até o Kaká foi expulso, a nova ordem da seleção.
  1. A magia do futebol está em sua imprevisibilidade. Um dos jogadores mais elegantes em campo e dos mais inteligentes fora dele (embora do time evangélico), Hernanes deu ontem um abraço de morte em Felipe Melo. Não creio numa próxima convocação. Perdemos nós, ganha o Lazio.
  2. No Sub-20 tivemos três expulsões na primeira partida contra o Chile: dois atletas e o técnico. Verdade que os juízes sulamericanos blá, blá, blá. Mas algo de errado há nessa estatística. Não na estatística propriamente dita, mas com a sistemática ocorrência de expulsões de nossos jogadores em partidas da seleção. Sede de vencer? Vontade de ganhar a posição de titular? Necessidade de garantir um lugar no grupo? Ganhar o apoio da torcida e da mídia?
  3. Qualquer que seja o motivo, a raiz do problema, volto a insistir, está nos vetores psicológico e intelectual. O psicanalista Luiz Alberto Py disse hoje o mesmo, ou algo semelhante, para um programa do Sport TV.
  4. Os jogadores brasileiros envolvem-se emocionalmente durante a partida e transformam o jogo em questão pessoal, que procuram superar na porrada. Questão de formação: aprendem a jogar na rua, nos campos de várzea, na maioria das vezes, e é na porrada, ou seja, na jogada violenta ou na mão grande, que descontam sua inferioridade momentânea em campo.
  5. Isso denuncia o principal problema, aquele radicial: entendem o futebol como aprenderam em criança, não como uma profissão. Fossem profissionais completos (são profissionais pois remunerados para o exercício do jogo de bola) aprenderiam as regras do esporte, apreenderiam o regulamento da competição, teriam internalizado as alternativas de resultado melhores para sua equipe na partida e no campeonato ou torneio, saberiam de antemão qual a estratégia mais adequada para jogar com um a mais, com um a menos, goleando ou sendo goleado, no campo seco ou na lama.
  6. Os jogadores brasileiros nada sabem sobre a história do futebol. Não estudam o que praticam. Não possuem, assim, o conhecimento solidificado dos grandes épicos, das grandes tragédias, das grandes viradas, das imensas possibilidades do jogo. Jogam bola, apenas, se tudo correr bem para eles. Se forem pressionados não sabem o que fazer com a bola, como no amistoso contra a França.
  7. Entregam o jogo se tomarem um gol, deixam-se abalar psicolgicamente, passam a jogar contra si mesmos. Desesperam-se se uma jogada não é bem realizada, e tentam repeti-la de forma inexplicável para quem assiste (vide Daniel Alves recebendo insistentemente a bola sobre a linha lateral na altura do meio-campo, para nada fazer com ela, no amistoso contra a França).
  8. Sinceramente, não sei porque perco tanto tempo vendo futebol.
Imagem: Bol Imagens

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