Momento

TORCER PODE RESULTAR EM OBRA DE ARTE (fico devendo a referência)






segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A FACE OCULTA DO HEXA DO FLA

Agora o Flamengo também é campeão brasileiro de 1987. A decisão da CBF atrasou-se por 23 anos. O que teria motivado o surgimento de pareceres jurídicos, agora, a sustentar a decisão? O que mudou desde lá, que fato novo pode ter gerado o entendimento favorável ao Flamengo? Posto que a CBF manteve-se inflexível quanto à negativa do título às glórias rubro-negras? Não me sai da cabeça a ideia de que se trata de uma vingança da CBF, ou de Ricardo Teixeira, melhor dizendo, contra a Caixa Econômica Federal. O dado luminoso a considerar: essa decisão da CBF foi tomada dias depois de a Caixa entregar ao São Paulo, então primeiro time a alcançar a condição de pentacampeão, a famosa Taça das "Bolinhas", oferecida pela Caixa, em acordo com a CBF, ao time campeão. Mais precisamente, a Taça das "Bolinhas", em prata e ouro, era apenas erguida pelo time campeão, que ficava de posse de uma miniatura, voltando a original aos cofres da Caixa até o campeonato seguinte. Em certo momento da história, a Caixa não pode mais expor a Taça na cidade em que acontecia a final, não pode mais entregar a Taça ao time campeão, teve vedado seu acesso ao campo de jogo. A CBF passou a entregar outro troféu e a Taça ficou nos cofres da Caixa... até semana passada. Aí, então, vem a decisão, sempre negada anteriormente, de sagrar o Flamengo campeão de 1987. Ou seja, está preparado o terreno para nova pendenga em torno da Taça das "Bolinhas". Se a imprensa esportiva brasileira fosse menos esportiva e mais jornalística, essa história renderia uma bela reportagem.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

FRED CONCENTRADO

Fred, na praia do Leme, concentrado para a semifinal da Taça Guanabara, sábado próximo, contra o Boavista... (Foto: Paulo Sérgio, do Lancenet)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MUITÍSSIMO GRATO, RONALDO!

  1. Fontaine teve carreira curta. Mas deixou seu nome na história do futebol com a marca de 13 gols em uma só Copa do Mundo, a de 1958. Desde então vive cercado pelo carinho e respeito do povo francês.
  2. Ronaldo teve uma longa carreira, interrompida duas vezes por contusões sérias. Foi campeão do mundo duas vezes, vice-campeão uma vez, e é o maior artilheiro de todos os tempos em Copas do Mundo, para dizer o essencial.
  3. Sabemos agora que, além das duas contusões no joelho direito, Ronaldo sofre de hipotireoidismo. Uma doença, como ele disse na coletiva, que exige hormônios em seu tratamento, o que é incompatível com a atividade profissional no futebol. Lutou quanto pode para continuar jogando. Mesmo doente (simplesmente gordo para quase todo mundo) viveu dois grandes momentos no Coríntians: o campeonato paulista de 2009 e a Copa Brasil do mesmo ano, dos quais saiu campeão e autor de gols antológicos e decisivos. Em 2010, jogando pouco mais de 20 partidas, ainda fez 12 gols.
  4. Mas nós somos brasileiros, qué-que-há!, tá pensando o quê? Nós somos espertos, com a gente ninguém pode, malandro aqui tem que ralar, é ruim, hein?!
  5. Assim, ao voltar para encerrar a carreira no Brasil, Ronaldo recebeu o epíteto de Gordo e passou a ser lembrado pelos seus equívocos ou preferências humanas, demasiadamente humanas, tomadas ou adotadas em sua vida pessoal.
  6. Ao anunciar o fim de sua carreira, estou certo de que, neste momento, a caterva comemora, tirando sarro do Gordo, dizendo "já vai tarde!", "tá pensando que o Coríntians é spa?", "aqui né casa da sogra, não?", "vai pegar traveco em Paris!", e coisas semelhantes.
  7. Porque nós somos brasileiros, somos fodões, os mais espertos do mundo, etc e tal, ninguém nos passa a perna, aqui é nóis, meu! Meu pirão primeiro, qualé!
  8. Ronaldo legou à história do futebol páginas da mais expressiva beleza. Três vezes foi eleito melhor jogador do mundo. Visitou o inferno dos atletas por duas ou três vezes e de lá voltou para continuar sua saga. Desacreditado, realizou o épico dos verdadeiros heróis na Copa de 2002, por si só um feito insuperável.
  9. Fontaine tem numa rua parisiense a casa de número 13, o de sua camisa em 1958, onde recebe visitantes e jornalistas, ainda hoje, e guarda as relíquias de sua curta carreira.
  10. Ronaldo tem a sorte de ter jogado no PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale, Real Madrid e Milan, clubes que honram os craques que vestiram suas camisas. Restará a Ronaldo gozar as homenagens que esses times provavelmente farão a ele a partir de agora, se já não o fazem em salas reservadas às suas glórias. Porque aqui só mereceu chacotas, ofensas, infâmias e, por fim, agressões e ameaças da Fiel corintiana e o ódio da urubuzada flamenguista. E talvez só venha a receber isso mesmo ou quetais.
  11. Quanto a mim, digo o que posso: "muitíssimo grato, Ronaldo!" pelos inúmeros momentos espetaculares que tive a alegria, o prazer e a emoção de vê-lo construir em campo. E faço aqui esta pequena homenagem ao mais genial centroavante que vi jogar, Ronaldo Fenômeno, com todo respeito a Romário e Reinaldo.
  1. Imagem: Bol Imagens

LUCAS & NEYMAR

Não acompanhei o Brasil nesta campanha de classificação para as Olimpíadas de Londres, mas foi inevitável que, ao assistir aos gols da goleada sobre o Uruguai, associasse, romanticamente, Lucas (camisa 10) e Neymar (7) aos jovens Pelé e Garrincha de 1958... Claro que isso é um exagero, e é desse tipo de exagero que padece a imprensa esportiva, na maioria das vezes superestimando jogadores que, ao fim, acabam no estaleiro da vaidade ou no ostracismo da fama. Passam então a debitar do que fizeram, sem creditar no que fazem. A consequência é inevitável: são escalados em seus clubes e seleções pelo que foram momentaneamente. Torçamos para que Lucas e Neymar não sofram, mais cedo ou mais tarde, deste mal. Lucrará o Brasil, e eles também, afinal de contas a carreira de um jogador de futebol é, no curso da existência humana, tão curta quanto um palito de fósforos, que se mantém aceso somente até a altura dos dedos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Frase do dia

"É como eu sempre digo: jogador dentro da pequena área tem que ser que nem assaltante de banco... extremamente frio"
Uma das frases do comentarista da Rede Vida sobre um jogador que perdeu um gol incrível, no clássico Rio Claro e Rio Preto, pela Série A2 do Campeonato Paulista. As outras são impublicáveis, de tão escabrosas.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

QUARTA REVELADORA

Até o Kaká foi expulso, a nova ordem da seleção.
  1. A magia do futebol está em sua imprevisibilidade. Um dos jogadores mais elegantes em campo e dos mais inteligentes fora dele (embora do time evangélico), Hernanes deu ontem um abraço de morte em Felipe Melo. Não creio numa próxima convocação. Perdemos nós, ganha o Lazio.
  2. No Sub-20 tivemos três expulsões na primeira partida contra o Chile: dois atletas e o técnico. Verdade que os juízes sulamericanos blá, blá, blá. Mas algo de errado há nessa estatística. Não na estatística propriamente dita, mas com a sistemática ocorrência de expulsões de nossos jogadores em partidas da seleção. Sede de vencer? Vontade de ganhar a posição de titular? Necessidade de garantir um lugar no grupo? Ganhar o apoio da torcida e da mídia?
  3. Qualquer que seja o motivo, a raiz do problema, volto a insistir, está nos vetores psicológico e intelectual. O psicanalista Luiz Alberto Py disse hoje o mesmo, ou algo semelhante, para um programa do Sport TV.
  4. Os jogadores brasileiros envolvem-se emocionalmente durante a partida e transformam o jogo em questão pessoal, que procuram superar na porrada. Questão de formação: aprendem a jogar na rua, nos campos de várzea, na maioria das vezes, e é na porrada, ou seja, na jogada violenta ou na mão grande, que descontam sua inferioridade momentânea em campo.
  5. Isso denuncia o principal problema, aquele radicial: entendem o futebol como aprenderam em criança, não como uma profissão. Fossem profissionais completos (são profissionais pois remunerados para o exercício do jogo de bola) aprenderiam as regras do esporte, apreenderiam o regulamento da competição, teriam internalizado as alternativas de resultado melhores para sua equipe na partida e no campeonato ou torneio, saberiam de antemão qual a estratégia mais adequada para jogar com um a mais, com um a menos, goleando ou sendo goleado, no campo seco ou na lama.
  6. Os jogadores brasileiros nada sabem sobre a história do futebol. Não estudam o que praticam. Não possuem, assim, o conhecimento solidificado dos grandes épicos, das grandes tragédias, das grandes viradas, das imensas possibilidades do jogo. Jogam bola, apenas, se tudo correr bem para eles. Se forem pressionados não sabem o que fazer com a bola, como no amistoso contra a França.
  7. Entregam o jogo se tomarem um gol, deixam-se abalar psicolgicamente, passam a jogar contra si mesmos. Desesperam-se se uma jogada não é bem realizada, e tentam repeti-la de forma inexplicável para quem assiste (vide Daniel Alves recebendo insistentemente a bola sobre a linha lateral na altura do meio-campo, para nada fazer com ela, no amistoso contra a França).
  8. Sinceramente, não sei porque perco tanto tempo vendo futebol.
Imagem: Bol Imagens

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

RUÍNZES

Iturbe abraçado a Messi. 2014 vem aí, brazucas!
Perdemos uma para a Argentina. E o título do sulamericano ficou distante; a vaga para a Olimpiada periga virar pesadelo. A partida foi atípica, não há como fugir do clichê. Aos 3', o zagueiro-capitão Bruno Uvini sai machucado; aos 6', expulsão do outro zagueiro, Juan. Aos 7' o Brasil perdia de 1 x 0, havia feito duas substituições e jogava com um a menos. Os brazucas comportaram-se muito bem a partir daí. Conseguiram o gol de empate no segundo tempo e... Bem, e então expuseram de forma cabal aquilo que tenho repetido aqui e alhures: despreparo psicológico e intelectual. Somos artistas da bola, definitivamente. Não entendemos de futebol. Basta uma falta forte para que o assunto se torne pessoal. Basta um gol de empate para o grupo considerar o jogo ganho. A cena lembrou 1990: um argentino talentoso conduziu a bola da intermediára até a área brasileira driblando os zagueiros. E sai o gol, em chute enviesado e rasteiro. Em 90, Maradona desmontou a defesa e passou para Canighia fazer o gol. Ontem, Iturbe fez tudo sozinho. Agora, estamos em terceiro e vamos pegar pela frente as duas melhores equipes do torneio: Equador e Uruguai. Uma derrota e corremos o risco de ficar de fora da Olimpíada e do Mundial. E pensar que "não tinha pra ninguém" e que o selecionado argentino "é desorganizado e fraco". Ah, sim, Neymar não fez nada em campo, a não ser cair e reclamar e tomar mais amarelo. É isso, somos artistas da bola. Já, no futebol... Claro que o título deste post não se refere aos cracaços argentinos, mas aos árbitros sulamericanos. Ontem, tivemos mais um episódio da marcação cerrada que árbitos de língua castelhana fazem sobre equipes brasileiras. Como se não bastasse a expulsão de Juan, a Argentina jogou com 12 em campo. Falta colhão na CBF.
Imagem: Bol Imagens

domingo, 6 de fevereiro de 2011

HE MAN, LOCO ABREU E O CLÁSSICO VOVÔ

Quando o Fred não te pega, Rafael Moura se encarrega! No primeiro tempo, o Flu perdia para o Botafogo, com Fred muito marcado, e o He Man foi lá, de cabeça, e empatou. Depois, o Flu perdeu um jogador (Valência foi expulso), mas, de novo, He Man foi lá e fez o segundo! Outro jogador expulso, agora do Botafogo, duas bolas na trave do Flu, e promessa de um superjogo no segundo tempo. Nada estava definido. Por enquanto, Flu 2 x 1. Segundo tempo, Loco Abreu bate o primeiro pênalti, e Diego defende. A cavadinha não funcionou. Mas, outro pênalti é marcado logo depois, e Loco Abreu vai de novo, para bater. O juiz parece querer que o Botafogo empate! Deve ser botafoguense ou a namorada é. Gol do Botafogo! E um festival de cartões amarelos para o Flu! Em seguida, no contra-ataque, Herrera desempata para o Glorioso: 3 x 2. Com um juiz desse, já se enxerga o bicampeonato botafoguense no horizonte... Resta ao Flu a Libertadores. Teremos, ao que parece, mais uma finalíssima entre Botafogo e Flamengo, como nos últimos anos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

FALTA DE IMAGINAÇÃO CORINTHIANA

A torcida do Corinthians não tem nenhuma imaginação. Muito menos educação. O time passa por um mau momento (reflexo talvez do fracasso no Brasileirão de 2010, perdido nas três últimas rodadas para o Fluminense e cuja conquista jogadores, torcedores, imprensa e cartolas davam como certa), é eliminado precocemente da Libertadores por um time que, no Brasil, estaria na terceira divisão, e a torcida, irada, picha muros e depreda automóveis. O correto era ir receber o time no aeroporto, apoiar os jogadores, tocar a bola para a frente e acreditar no futuro. Todo ano tem Libertadores, e todo ano o Corinthians pode se classificar para disputá-la. É sempre um dos favoritos de tudo que disputa, ou pelos times que monta ou por sugestão da imprensa, que sempre o apoia. Além disso, o fracasso num único jogo não é o fracasso de um ano inteiro, nem de uma década. Futebol não é política, tampouco um campo de batalha: é só um esporte, entretenimento, hobby. Pelo menos para quem torce. Se vamos ao estádio, devemos ter consciência de que três fatos podem ocorrer: vitória, empate ou derrota. E, se um time perde, não quer dizer que fez corpo mole, que não se esforçou ou é incompetente: às vezes, nada dá certo, as bolas não entram, o jogo não transcorre, o craque some em campo. Dizem que Cruyff, quando ficava muito marcado ou não estava num bom dia, ia para a defesa e pedia que outro jogador ocupasse sua posição. Não sei se isso é verdade, há muita lenda no futebol, mas, sendo ou não, é uma atitude inteligente. Uma tentativa de reverter uma situação desfavorável. Não me cansarei de dizer, jamais: futebol é circunstância, e os jogadores não são máquinas, não trabalham sempre igual como os relógios. Num dia inspirador, parecem mágicos; noutro dia, mais sombrio, não passam de um vigia noturno, que só observa e deixa a vida correr. A bola correr. E é isso que faz do futebol um esporte tão sedutor: o fato de que nunca sabemos, ao certo, o que vai acontecer. Aconteceu ontem que o Corinthians fosse eliminado pelo Tolima. Só isso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

NATÁLIA FALAVIGNA

Ela agora é do Fluminense. E, embora musa do taekwondo, entende de futebol: "Fui ao jogo contra o Macaé, acompanhei o 3 a 1 e fui pé quente. É muito legal. Gostei. Venho de uma cidade onde o futebol não tem um grande time, que é Londrina. Não entendia muito como é curtir o futebol e curti. O Fred é um grande atleta. É um cara que bate diferente na bola, é diferenciado". O Flu olímpico ficou mais forte.